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O seminário “Saúde Ambiental em Prática – Experiências e Desafios” reuniu hoje, 28 de novembro, no auditório do Centro de Saúde de Sete Rios, profissionais, académicos, e parceiros institucionais para um dia inteiramente dedicado a pensar o presente e o futuro da saúde ambiental.
A sessão de abertura ficou a cargo de Rita Molinar, Adjunta da Diretora Clínica dos Cuidados Hospitalares com coordenação da equipa de Adjuntos para os Cuidados de Saúde Primários, em representação do Conselho de Administração da ULS Santa Maria.

Na sua intervenção, destacou que as questões ambientais deixaram há muito de ser preocupações de amanhã e passaram a ser desafios urgentes de hoje. Sublinhou a influência direta da qualidade do ar, da água, dos solos, da gestão de resíduos e das alterações climáticas no bem-estar das populações e valorizou o papel dos profissionais de saúde ambiental, cuja ação diária, frequentemente discreta, contribui decisivamente para ambientes mais seguros e saudáveis. Reforçou ainda o compromisso da ULS Santa Maria com a formação, a inovação e o trabalho em rede, essenciais para responder a problemas cada vez mais complexos.
O primeiro painel abriu caminho com o projeto REVIVE, a Rede de Vigilância de Vetores em Saúde Pública, que monitoriza mosquitos e outras espécies com impacto na saúde humana. Afonso Moreira, médico da Unidade de Saúde Pública da ULS Santa Maria, apresentou a evolução da vigilância ao mosquito Aedes albopictus em Lisboa. Assinalou que, em poucos meses, o número de armadilhas monitorizadas passou de cinco para mais de trinta graças ao esforço intensivo da equipa de saúde ambiental, com vigilância semanal no terreno. Realçou ainda a cooperação estreita com a Câmara Municipal de Lisboa e outros parceiros e reforçou a mensagem de que o combate ao Aedes albopictus só será eficaz com a participação ativa da comunidade, através da eliminação de criadouros em espaços públicos e privados.

Seguiu-se o painel dedicado aos eventos de massa, conduzido por Ricardo Mexia, médico de saúde pública do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. Recordou que garantir a segurança de todos os envolvidos é um dos objetivos centrais da saúde pública e defendeu a necessidade de estratégias bem estruturadas, planeamento rigoroso em todas as fases do evento e avaliação contínua do risco. Exemplos como o Festival do Pão, o Carnaval de Torres Vedras ou o NOS Alive permitiram ilustrar a complexidade e a importância desta área de intervenção.

A manhã terminou com uma pausa ativa e com um momento cultural protagonizado pelo Grupo Coral dos Inválidos do Comércio, que trouxe à sessão uma dimensão distinta de bem-estar e comunidade.

Durante a tarde, a atenção centrou-se nas insalubridades habitacionais, num debate marcado pela partilha de projetos e experiências de diferentes territórios. Entre os exemplos apresentados estiveram o programa “Casas Saudáveis, Famílias Felizes”, da Junta de Freguesia de Carnide, o projeto “Reinicia V”, da Câmara Municipal de Mafra, e a “Casa dos Animais de Lisboa”. A reflexão convergiu num ponto essencial: para enfrentar de forma eficaz situações de insalubridade é necessário identificar, planear, mobilizar equipas especializadas e trabalhar com um objetivo comum. Uma abordagem multidisciplinar e colaborativa foi destacada como condição indispensável para gerar mudanças consistentes e sustentáveis.

O seminário encerrou com uma mensagem clara: a saúde ambiental é hoje um pilar incontornável da proteção da saúde pública. E o caminho faz-se com conhecimento, cooperação e uma ação contínua e estratégica que envolva instituições, especialistas e cidadãos.