Histórias que Inspiram

Testemunhos, projetos e percursos que traduzem dedicação, humanização e compromisso, dando voz a histórias inspiradoras de profissionais da ULS Santa Maria.

A Gotinha Vermelhusca

Literacia em saúde

A Gotinha Vermelhusca

Um projeto de sensibilização que transforma a dádiva de sangue e a solidariedade numa mensagem acessível aos mais novos.

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Para onde quer que vás, vai com o coração

Percurso e superação

Para onde quer que vás, vai com o coração

Uma reflexão sobre corrida, caminhada, liberdade, superação e a força transformadora dos desafios vividos ao longo do caminho.

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Literacia em saúde

“A Gotinha Vermelhusca”: quando uma gota inspira muitas outras

O meu percurso na área da dádiva de sangue começou de forma inesperada. Na sequência de uma situação de saúde, fui transferida para o Serviço de Imuno-Hemoterapia, integrando a equipa que daria início à então nova Unidade de Dadores de Sangue. Confesso que, na altura, não fiquei particularmente entusiasmada ao saber que iria trabalhar nesta área.

Com o tempo, tudo mudou. À medida que fui conhecendo melhor esta realidade, percebi o impacto profundo que este trabalho tem na vida de tantas pessoas. Quando trabalhamos apenas no contexto clínico, sabemos que os doentes precisam de componentes sanguíneos, que os pedidos são feitos e os produtos chegam, mas raramente paramos para pensar de onde realmente vêm. Quando passamos para o outro lado, percebemos que existe todo um mundo por detrás dessa realidade, feito de generosidade, altruísmo e de pessoas que, através de um gesto simples, ajudam a salvar vidas.

Durante vários anos tive também o privilégio de colaborar na organização das iniciativas associadas ao Dia Nacional do Dador de Sangue, assinalado no dia 27 de março, contribuindo para dar visibilidade ao tema dentro e fora da Instituição. Ao longo desse percurso, foi também possível, em articulação com diferentes pessoas e instituições, mobilizar alguns grupos para a dádiva de sangue, quer internamente no polo de Santa Maria, quer junto de estudantes de faculdades da Universidade de Lisboa, bem como outros grupos da comunidade.

Iolanda Santos
Iolanda Santos

Enfermeira e autora de A Gotinha Vermelhusca, um projeto de literacia em saúde sobre a importância da dádiva de sangue.

Leitura do livro A Gotinha Vermelhusca

Imagem: Leitura do livro “A Gotinha Vermelhusca” no Centro de Estudos – A Fábrica dos Sonhos, Baixa da Banheira.

A verdade é que, muitas vezes, este é um tema esquecido. No entanto, sem sangue não há vida. A única forma de o obter é através da dádiva benévola de outra pessoa. Em algum momento da vida, todos podemos precisar da generosidade de um desconhecido.

Foi nesse contexto que comecei a refletir sobre a importância de continuar a sensibilizar para este tema e de chegar mais longe. Percebi que talvez o melhor lugar para começar fosse junto das crianças, porque crescer sensível ao outro é crescer mais humano e solidário.

A conversa sobre a importância da dádiva de sangue foi acontecendo várias vezes em família. A minha mãe, no âmbito de um projeto profissional seu, acabou por criar a personagem “A Gotinha Vermelhusca” e lançou-me o desafio de escrever uma história sobre ela. Eu escrevi-a, mas acabou por ficar alguns anos guardada na gaveta, até que um dia decidi trazê-la ao mundo.

Assim nasceu “A Gotinha Vermelhusca”, uma história pensada para explicar às crianças, de forma simples e acessível, a importância da dádiva de sangue e da solidariedade, incluindo também algumas atividades que ajudam a despertar a curiosidade e o interesse dos mais novos. Ao sensibilizar as crianças, a mensagem acaba muitas vezes por chegar também aos pais, educadores e professores.

Imagem complementar da história A Gotinha Vermelhusca

Imagem: Na Delegação do Ministério da Educação do Sal | Cabo Verde, com a Senhora Delegada Lucialina Alfama.

Tem sido muito gratificante acompanhar o caminho que a Gotinha tem feito. O livro já chegou a escolas, jardins de infância e centros de estudo e tem marcado presença em feiras do livro de norte a sul do país, permitindo levar esta mensagem de solidariedade a muitas crianças e famílias. De forma muito especial, ultrapassou também fronteiras, estando presente em escolas em Cabo Verde.

Imagem da presença do livro em Cabo Verde

Imagem: Na Delegação do Ministério da Educação do Sal | Cabo Verde, com a Senhora Delegada Lucialina Alfama.

A apresentação oficial do livro teve lugar no verão passado, em Penamacor, a minha terra natal, onde o Município adquiriu vários exemplares, ajudando assim a levar esta mensagem de solidariedade a mais jovens.

Apresentação oficial de A Gotinha Vermelhusca em Penamacor

Imagem: Apresentação oficial de “A Gotinha Vermelhusca” em Penamacor, minha terra natal. Na fotografia: José Lopes Nunes, figura ilustre da terra; António Luís Bites, à data Presidente da Câmara Municipal; a autora; e Maria de Fátima Ribeiro, minha professora da escola primária.

Ainda no seu primeiro ano de vida, o livro recebeu um reconhecimento especial, sendo distinguido como vencedor da Categoria Infantil pelo júri na Gala dos Autores da Cordel d’Prata 2026.

Prémio Cordel d’Prata 2026

Imagem: Distinção de “A Gotinha Vermelhusca” como vencedora da Categoria Infantil na Gala dos Autores da Cordel d’Prata 2026.

Para além da mensagem que transmite, este projeto nasce também de uma paixão antiga: a escrita. Sempre gostei de transformar pensamentos em palavras e, com tudo o que vivemos no dia a dia da enfermagem, sabemos bem como é importante ter também atividades ou interesses pessoais que nos permitam cuidar um pouco de nós próprios, para continuarmos a cuidar melhor dos outros.

Hoje sinto que “A Gotinha Vermelhusca” é uma forma diferente de continuar a cuidar, promovendo literacia em saúde e lembrando que, tal como na história, na vida real uma gota pode fazer toda a diferença.

E assim, gota a gota, a Gotinha continua a fazer o seu caminho, levando consigo uma mensagem de solidariedade e esperança.


Percurso e superação

“Para onde quer que vás, vai com o coração”

Graça Roldão
Graça Roldão

“Para onde quer que vás, vai com o coração”
(Confúcio)

Comecei a correr em 2006 na Mini Maratona da Ponte 25 de Abril com uma amiga. A partir daí, o asfalto e os trilhos tornaram-se parte fundamental da minha vida e uma janela aberta para descobrir novos lugares e desafios. Em 2009, com a primeira maratona em Lisboa, descobri que o corpo humano é muito mais do que a mente ousa acreditar, embora esta, nos momentos mais difíceis, seja quem guia os meus passos…

Hoje, com 40 maratonas no currículo (a última já este ano em Malta), muitas meias maratonas, trails e algumas provas de 100 km, entendo a corrida e a caminhada como chave para o meu equilíbrio. Embora o desejo de melhorar a performance esteja sempre lá, correr não é sobre chegar rápido, mas ver e sentir ao ritmo do esforço e da respiração.

A corrida é também partilha. Guardo memórias inesquecíveis das participações da Unidade de Neonatologia na Meia Maratona de Portugal, onde profissionais de saúde, pais e crianças se reuniram sob o lema: “Nascer, viver e crescer. Nós por eles”. Ali, demos visibilidade à prematuridade e angariámos fundos para a aquisição de equipamento para a Unidade.

Imagem complementar da história de Graça Roldão

Imagem complementar da história de Graça Roldão
Imagem complementar da história de Graça Roldão

Os lugares que percorri, os novos horizontes que se abriram, entre a imensidão do deserto e a subida ao monte Toubkal em Marrocos, a “conquista” do Kilimanjaro na Tanzânia, onde a lentidão de cada passo, a respiração difícil, o calor do dia e a noite gélida, foram uma lição de resiliência e respeito pela montanha.

Também a travessia do Monte Branco e a imensidão com tanta neve, os trilhos nos Pirenéus e aquele refúgio em Góriz no meio do nada, no sopé do Monte Perdido, foram desafios inesquecíveis.

De mochila às costas, onde cada grama pesa, percorrendo os caminhos de Santiago, onde o silêncio dos dias e os lugares impregnados de História e espiritualidade nos transportam para o passado, aprendi a viver com o indispensável, ficando para trás o supérfluo.

Imagem complementar da história de Graça Roldão

Porque corro? Porque caminho? Por quilómetros de liberdade, novos destinos e aventuras, o desconhecido que me espera, a aceitação e a contemplação da Natureza por vezes agreste, o calor tórrido, a chuva intensa e o frio gélido; o sublime nascer do sol por trás da montanha, o chilrear dos pássaros, os cheiros que despertam os sentidos; a cidade vibrante de gente que se descobre na corrida e o passeio descontraído com os amigos e aquela cerveja que sabe tão bem!

E no final do dia, o que fica não é o peso da mochila, as pernas e o corpo dorido mas a leveza de ter vivido intensamente cada centímetro do percurso.

A felicidade pode, de facto, caber num par de sapatilhas e numa mochila, aceitando a fragilidade do corpo e descobrindo a força da superação, quando tudo o resto parece falhar e os limites são por vezes apenas linhas imaginárias…

O que guardo não são as medalhas ou os prémios. São os desafios superados, as amizades, o convívio e a audácia de acreditar que, enquanto houver horizonte, haverá vontade de correr e caminhar por aí.

Imagem complementar da história de Graça Roldão

Imagem complementar da história de Graça Roldão
Imagem complementar da história de Graça Roldão
Imagem complementar da história de Graça Roldão