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O som do violino rasga o ar e ocupa todo o espaço até há pouco dominado pelo som dos aparelhos de suporte de vida e a azáfama dos profissionais de saúde. Durante a tarde do dia 24 de Abril, as Unidades de Cuidados Intensivos do Hospital de Santa Maria transformaram-se no palco de um miniconcerto de música clássica muito especial: o Serviço de Medicina Intensiva da ULS Santa Maria deu início a um projeto de musicoterapia nos seus espaços de internamento.
Dois jovens estudantes da Escola de Música do Colégio Moderno, João e Francisco, 10º e 11º anos, acompanharam a sua Professora, Inês Saraiva, e, numa harmonia bastante cúmplice deram início à sessão. Uma iniciativa integrada no Plano de Humanização de Cuidados em Medicina Intensiva.
Assim que começaram a ouvir-se os primeiros acordes, alguns olhos fecharam-se, outros abriram-se. O som espalhou-se e a música assumiu todo o protagonismo.
Para os doentes, familiares e profissionais da ULSSM, que assistiram a este miniconcerto, o momento traduziu-se numa serenidade e tranquilidade, tão necessárias num ambiente quase sempre marcado pelo stresse e pelos desafios próprios de uma unidade de cuidados intensivos.
O projeto de musicoterapia da ULSSM tem sido dinamizado com o entusiasmo e a dedicação de Rodrigo Duarte, Interno do 3º ano de Medicina Intensiva, Dulce Correia, assistente hospitalar de Medicina Intensiva e Inês Sousa, Interna do 1º ano do mesmo Serviço. Ambos são apaixonados pela música e acreditam no seu poder humanizador e terapêutico, procurando aliar essa dimensão à prática clínica.
Uma iniciativa que se insere num projeto mais amplo de humanização dos cuidados, com o objetivo de avaliar também cientificamente os efeitos da música na recuperação dos doentes. A equipa pretende conduzir estudos com registos que comprovem esses benefícios, contando já com a participação de muitos outros profissionais, incluindo enfermeiros e investigadores da Faculdade de Medicina.
Além das sessões ao vivo, estão previstas intervenções musicais com playlists e de silêncio terapêutico, com recurso à tecnologia, junto à cabeceira dos doentes. “O impacto positivo da música está documentado: ajuda no controlo da dor e do delírio e até do stresse associadas ao internamento nos cuidados intensivos e pós cuidados intensivos”, explica Rodrigo Duarte.
Segundo a intensivista Dulce Correia, “os cuidados intensivos estão fortemente associados à dimensão científica e tecnológica, mas reconhece-se uma carência de abordagens mais humanizadas. Este projeto vem colmatar essa lacuna”.
A aposta na humanização dos cuidados é vista como um dos pilares fundamentais para a melhoria dos resultados clínicos – não só para os doentes, mas também para os profissionais que enfrentam diariamente ambientes de elevada exigência. “E estes momentos funcionam como uma pausa, um escape necessário”, sublinha Inês Sousa.
Para os jovens músicos, a experiência foi também marcante: “Se este gesto puder ter algum um efeito positivo nos doentes, já valeu a pena. É algo que não custa mesmo nada”, partilharam João e Francisco. Para a professora, “esta experiência constitui uma grande aprendizagem para os alunos”.
Promover o bem-estar da pessoa e dos seus familiares é cada vez mais parte integrante da recuperação de um doente. Uma aposta da ULSSM que acarinha estes projetos, cujos benefícios vão para além do que se vê.