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António Ferreira começou a fumar há 53 anos, “quando isso era muito habitual em reuniões”. Hoje, aos 73 anos e depois de três tentativas falhadas para deixar este hábito, fuma ainda um maço por dia, critérios que o colocam como um dos utentes elegíveis para o rastreio inovador ao cancro do pulmão que a ULS Santa Maria iniciou nesta semana.
Inscrito na USF Tílias – ULSSM, António Ferreira integrou o grupo inicial que realizou uma Tomografia Computorizada de baixa dose – que permite baixar os níveis de radiação a que os utentes são expostos -, no arranque de um projeto-piloto que visa detetar a doença em fases precoces, elevando as hipóteses de cura. “Até já tinha pensado perguntar se podia participar no rastreio, mas ainda antes disso fui convocado para realizar o exame no Hospital Pulido Valente”, conta o utente da ULS Santa Maria.
A ULSSM identificou já cerca de 4 mil utentes elegíveis, a quem será efetuado um convite para realizar o rastreio. Um projeto que resulta do trabalho multidisciplinar das equipas do Departamento do Tórax, em estreita articulação com o Serviço de Imagiologia, os Cuidados de Saúde Primários e a Saúde Pública da instituição.
O programa de rastreios será realizado com recurso a Tomografia Computorizada de baixa dose, seguida de consulta nos casos que impliquem seguimento especializado. O projeto prevê também um programa de apoio à cessação tabágica em todas as fases do percurso do utente, oferecendo consultas especializadas a quem deseja parar de fumar.
“Com este rastreio, queremos passar de 15-20% de hipóteses curativas para 70-80%”, destaca Cristina Bárbara, Diretora do Departamento do Tórax da ULS Santa Maria.
De acordo com a norma da Direção-Geral da Saúde, os rastreios do cancro do pulmão abrangem pessoas entre os 55 e os 74 anos, fumadores e ex-fumadores que tenham, por exemplo, fumado um maço de tabaco/dia durante 20 anos.
A ULSSM integra o consórcio europeu EUCanScreen, cujo objetivo principal é apoiar os países de modo a garantir um elevado desempenho dos programas de rastreio do cancro em todos os Estados-Membros da União Europeia. O cancro do pulmão é o quarto tumor maligno mais comum em Portugal, sendo detetados anualmente cerca de 5 000 mil novos casos e morrem cerca de 4 400 pessoas vítimas desta doença. Fumar é o principal fator de risco.