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Sob o mote “Nada Sobre Nós, Sem Nós”, atividades em vários serviços promoveram a participação, a equidade e a continuidade de cuidados.
Entre 12 e 18 de outubro, a ULS Santa Maria assinalou a Semana Internacional da Saúde do Adolescente com atividades em vários serviços e uma ideia como ponto de partida: os adolescentes não são apenas destinatários dos cuidados de saúde, são parceiros na construção de respostas que lhes dizem respeito.

Sob o mote “Nothing About Us Without Us” (“Nada Sobre Nós, Sem Nós”), a iniciativa decorreu no Departamento de Pediatria, nos Serviços de Internamento, na Consulta Externa de Pediatria e nos Serviços de Adultos, bem como nos Cuidados de Saúde Primários e em instituições da comunidade. O objetivo foi mostrar que a Saúde do Adolescente é responsabilidade de toda a ULS, e não apenas da Pediatria.

Ao longo da semana, procurou-se dar protagonismo aos adolescentes, promovendo a prevenção, a literacia em saúde e a autonomia no cuidado da própria saúde. A Unidade Móvel do Programa Cuida-te, do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), também marcou presença e foi um dos momentos mais importantes para pôr estes objetivos em prática.
Da escuta à participação
Para quem organizou a iniciativa, ouvir não basta. Participar de forma significativa implica que os adolescentes possam falar sobre as suas necessidades, experiências e prioridades, ser levados a sério nas decisões que afetam a sua saúde e contribuir para a construção e avaliação de serviços, programas e políticas. Implica ainda ter acesso a informação em linguagem clara e adequada à sua fase de desenvolvimento, e exercer a autonomia de forma gradual, de acordo com a maturidade e os direitos de cada um.
Dar voz a todos é também uma questão de equidade. Os adolescentes devem poder participar e ser ouvidos independentemente de quem são, onde vivem ou das circunstâncias em que crescem, o que obriga a atender sobretudo a quem enfrenta mais barreiras.

O papel dos profissionais de saúde
Cada contacto com um adolescente pode ser uma oportunidade para transformar relações de poder em relações de parceria. Na prática, isso passa por perguntar antes de assumir, escutar sem julgamento, envolver o adolescente nas decisões sobre os seus cuidados sempre que apropriado e explicar opções, benefícios, riscos e limites de forma acessível. Passa também por garantir privacidade e confidencialidade, ter em conta as desigualdades sociais, económicas, culturais e territoriais, reduzir as barreiras de acesso e associar os jovens à melhoria dos serviços.

Transição para os cuidados de adultos
Na sessão de encerramento, foi salientada a importância de reforçar os circuitos de comunicação, referenciação e articulação entre as equipas da Pediatria e dos Serviços de Adultos. Defendeu-se a estruturação de percursos e consultas de transição que assegurem maior continuidade dos cuidados aos adolescentes e jovens adultos.
Para os organizadores, esta poderá ser uma das mensagens mais importantes da semana: promover a Saúde do Adolescente é também preparar uma transição acompanhada e integrada para os cuidados de saúde na idade adulta, envolvendo os jovens como participantes ativos no seu próprio processo de saúde.
Estiveram presentes no encerramento Ana Gaspar, em representação da Diretora Clínica para os Cuidados de Saúde Primários, e a Enfermeira Zélia Cristo Soares, em representação da Enfermeira Diretora, que felicitaram e valorizaram a iniciativa.