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IV Jornadas, organizadas pelos internos de Medicina Geral e Familiar da ULS Santa Maria, decorreram no Fórum Lisboa nos dias 29 e 30 de outubro
Nos dias 29 e 30 de outubro, o Fórum Lisboa acolheu o SIGA MGF: IV Jornadas de Referenciação, uma iniciativa dos internos de formação específica em Medicina Geral e Familiar da ULS Santa Maria que tem como objetivo aproximar os Cuidados de Saúde Primários e os Cuidados Hospitalares e clarificar critérios de referenciação, para um percurso mais eficiente e centrado no doente.
O encontro dá continuidade às Jornadas MGF em ALERTa. A nova designação e a nova identidade visual acompanham a transição da plataforma de referenciação dos Cuidados de Saúde Primários, que passou do sistema Alert para o RSE SIGA. Esta edição teve ainda uma novidade: realizou-se em formato presencial num novo espaço, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, no âmbito do programa Lisboa com Saúde.
“O médico de família é especialista em pessoas”
A sessão de abertura contou com a intervenção de Rita Molinar, Diretora Clínica para os Cuidados de Saúde Primários da ULS Santa Maria, que acompanha as jornadas desde a primeira edição, como palestrante. Começou por felicitar os internos pela persistência da iniciativa e defendeu que a referenciação não é um mero procedimento administrativo, mas “uma partilha de responsabilidade, em benefício do doente”.

Partindo da ideia de que o médico de família é “especialista em pessoas”, que acompanha desde o nascimento até ao fim da vida, sublinhou que os especialistas hospitalares trazem uma experiência diferenciada que complementa essa visão global. Defendeu, por isso, que é preciso discutir o que referenciar, quando e com que informação, mas também ouvir os constrangimentos de quem recebe e tria os pedidos. Para a Diretora Clínica, a articulação entre os dois níveis de cuidados é uma prioridade e deve traduzir-se em menos barreiras no acesso, percursos mais claros e maior continuidade de cuidados. A mensagem final foi simples: o cuidado “tem sempre de ter a pessoa no centro”.
Primeiro dia: da infertilidade à Inteligência Artificial
O primeiro dia arrancou com duas mesas, uma sobre a infertilidade e o papel da MGF na referenciação precoce, outra sobre a menopausa, da consulta de MGF à abordagem integrada. Depois da sessão de abertura, a mesa dedicada ao hemograma e ao proteinograma debateu o que não pode passar despercebido.

Antes do almoço, Rita Molinar, em substituição do Presidente do Conselho de Administração, Carlos Martins, apresentou a sessão “IA no Consultório: como a tecnologia está a transformar a prática clínica”. Deu a conhecer a visão para a inovação da ULS Santa Maria, assente em oito pilares, entre os quais maior eficiência, mais segurança, melhores cuidados e melhores decisões, e organizada em três eixos: transformação digital, dados e inteligência artificial.

No eixo da Inteligência Artificial, foram apresentados casos de uso já em curso, como o rastreio precoce de retinopatia diabética, a análise automática de radiografia do tórax, o rastreio de tuberculose com apoio de IA e a documentação clínica assistida por IA. Foi também apresentado o Plano de Inovação 2027, que prevê 16 iniciativas, entre as quais a telemedicina 24/7, a continuidade de cuidados pós-alta, a gestão da capacidade clínica instalada com recurso a IA e o secretariado clínico virtual. A sessão terminou com um olhar sobre o futuro, o Smart Healthcare Center.
A tarde ficou reservada a duas sessões paralelas, uma sobre a PrEP na consulta de MGF e outra sobre a decisão de iniciar ou não a terapêutica hormonal de substituição, e à apresentação de trabalhos.

Segundo dia: do doente frágil à lombalgia
No segundo dia, a primeira mesa foi dedicada ao doente frágil e ao ponto em que começa o cuidado, seguida de um debate sobre esquecimentos e patologia, com a pergunta de quando suspeitar e referenciar. Depois do intervalo, a mesa sobre o doente com patologia cardiorrenal discutiu o papel da MGF no regresso da alta ao centro de saúde, e a tarde começou com a lombalgia, da consulta à decisão cirúrgica.

Distinguidos os melhores trabalhos
As jornadas terminaram com a sessão de encerramento e a entrega de prémios aos trabalhos apresentados.
O prémio de melhor comunicação oral foi atribuído ao projeto de melhoria da qualidade “Deixa a boca falar”: a avaliação da cavidade oral no utente fumador, de Joana Duarte Gonçalves, Renato Bispo, Paula Atalaia e Pedro Benzinho, da USF do Parque, ULS Santa Maria.

A menção honrosa nas comunicações orais foi para o relato de caso “Do cansaço inespecífico à miopatia inflamatória associada a estatina: o valor da heteroanamnese em MGF”, de Erik Brzezicki, Maria Antunes Marques e Viviana C Lewis, da ULS Arrábida.

Na categoria de posters, o prémio foi para “Hiperglicemia: um caso de feocromocitoma”, de Priscila Araújo, Ana Catarina Pinto, Madalena Barata, Helena Soares, Maria Francisca Granjeia e Maria Luisa Baltazar, da USF do Parque, ULS Santa Maria.

A menção honrosa foi atribuída a “Neurossífilis e sua apresentação atípica”, de Maria Gonçalves, Clara Gonçalves, Filipa Teixeira e Catarina Esteves, da USF Quinta das Lindas, ULS Lisboa Ocidental.
