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O que começou em 2022 como um sonho de dois estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Francisca Borges e Pedro Fava, deu nesta sexta-feira um passo decisivo para transformar a face do maior hospital do país. Quatro anos após o lançamento das primeiras sementes da ideia de levar a humanização através da arte aos espaços do Hospital de Santa Maria, o Conselho de Administração da ULS Santa Maria (ULSSM) e a Associação Égide formalizaram um Memorando de Entendimento que eleva o projeto CurArte a um novo patamar estratégico e de execução a partir de agora.
O Hospital de Santa Maria será o palco de uma fase-piloto (2026/2027) deste programa que integra arte, design e arquitetura como ferramentas complementares ao processo de cura e que pretende expandir-se para outras unidades do SNS. Para o Presidente do Conselho de Administração da ULSSM, esta parceria reflete a identidade da instituição reforçando que a inovação não passa apenas pela prática clínica e novas terapias e tecnologias. Carlos das Neves Martins destaca que “este projeto concretiza um objetivo central: a humanização de espaços em estreita colaboração com a sociedade civil, seguindo boas práticas de parcerias com sucesso nos últimos anos”.
“Temos no nosso ADN a inovação, que passa também por projetos com instituições da sociedade civil”, afirma o Presidentre da ULSSM, sublinhando que o contributo da comunidade é indispensável para cumprir a missão de humanização na prestação de cuidados da instituição.
O programa CurArte destaca-se pela sua natureza interdisciplinar, unindo profissionais de várias origens e áreas das artes, arquitetura e design, os quais, integrados numa comitiva internacional, realizaram uma primeira visita ao campus de Santa Maria, no último trimestre de 2025, com o objetivo de repensar o ambiente hospitalar. Nessa data, receberam o apoio do Conselho de Administração para apresentarem uma proposta e ser assinado um Memorando de Entendimento.
Ana Proença, Presidente da Égide, enfatiza que “o sucesso desta iniciativa reside precisamente no trabalho de equipa, capaz de atrair vários parceiros para o projeto e, acima de tudo, útil para a comunidade hospitalar. O foco é claro: chegar à sociedade civil e identificar as reais necessidades de quem utiliza o hospital”.
A emoção deste marco histórico foi partilhada por Pedro Vaz Marques, Vice-Presidente da Égide, que recordou o percurso percorrido até aqui. “Após a recente visita de trabalho, que envolveu cerca de 15 profissionais de diversas áreas, a convicção é de que esta colaboração dará frutos rapidamente, traduzindo-se em mais de uma dezena de intervenções concretas nos espaços de cuidados”.
Com a assinatura deste Memorando, a ULSSM e a Égide comprometem-se, durante os próximos dois anos, a desenvolver intervenções que promovam o bem-estar de doentes, famílias e profissionais. O CurArte torna-se assim, pela primeira vez, numa política pública de cuidado, onde a arte e a cultura são reconhecidas como pilares de um ecossistema de saúde mais humanizado, acreditando-se que é um projeto que se irá expandir do espaço onde nasceu, Santa Maria, para todo o SNS no país.

