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Primeira libertação, de 30 mil mosquitos, decorreu em Alvalade. As restantes libertações terão lugar nas próximas duas semanas.
Lisboa avançou esta quinta-feira, 10 de setembro, para a fase experimental de uma nova abordagem ao controlo do Aedes albopictus, com a primeira libertação de 30 mil mosquitos estéreis na freguesia de Alvalade. Ao longo do mês de setembro serão libertados um total de 90 mil mosquitos, numa experiência que pretende avaliar a viabilidade da utilização da Técnica do Inseto Estéril em contexto urbano.

A iniciativa integra o projeto POR5007, «Reforço das capacidades para integrar a Técnica do Inseto Estéril (SIT) na estratégia nacional de controlo de Aedes albopictus», coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), com o apoio da Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA). A Unidade de Saúde Pública Francisco George da ULS Santa Maria participa neste projeto, que reúne parceiros nacionais e internacionais.

A primeira libertação decorreu em Alvalade e contou com a presença de peritos internacionais de entidades parceiras do projeto, bem como de representantes da Câmara Municipal de Lisboa, da Associação de Moradores do Campo Grande e da Delegação Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo da Direção Geral da Saúde.

Esta fase integra um estudo de marcação, libertação e recaptura, destinado a avaliar a dispersão e a sobrevivência dos mosquitos estéreis em ambiente urbano. A informação recolhida permitirá conhecer o comportamento dos insetos após a libertação e será fundamental para avaliar a possibilidade de utilização futura desta técnica no controlo das populações de Aedes albopictus.
O Aedes albopictus, conhecido como mosquito tigre asiático, é uma espécie invasora com capacidade para transmitir vírus como os da dengue, chikungunya e Zika. A Técnica do Inseto Estéril recorre à libertação de machos esterilizados que, ao acasalarem com fêmeas selvagens, não produzem descendência, contribuindo para a redução da população de mosquitos ao longo do tempo.
Os mosquitos libertados são exclusivamente machos, pelo que não picam nem transmitem doenças. Permanecem no ambiente durante um período limitado, morrendo naturalmente ao fim de alguns dias. A técnica não utiliza inseticidas e apresenta reduzido impacto ambiental, sendo considerada segura para a saúde humana, os animais e o ambiente.
Para acompanhar a experiência, foram instaladas em Alvalade armadilhas destinadas à monitorização dos mosquitos. As estruturas são inspecionadas regularmente por técnicos credenciados, responsáveis pela recolha de amostras, manutenção e verificação do funcionamento do equipamento. As armadilhas são seguras para pessoas, animais e ambiente. Nas próximas duas semanas serão realizadas novas libertações, num total de 60 mil mosquitos estéreis, completando os 90 mil previstos para esta fase do projeto.